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01/03/2010 - Comunidades quilombolas recebem certidões de autodefinição

Pelotas/RS - A história do povo negro foi marcada por muitas datas importantes e o dia 19 de fevereiro certamente é uma data que também entrará para a história de muitas comunidades quilombolas. Foi neste dia que 23 comunidades do território sul do Rio Grande do Sul receberam as certidões de autodefinição emitidas pela Fundação Cultural Palmares. O evento que reuniu quilombolas de 13 municípios de toda a região é um marco importante para este povo que aos poucos está conquistando seus direitos e recebendo o reconhecimento por toda a sua contribuição no desenvolvimento do país e, mais especificamente com a metade sul do Estado.
A entrega dos documentos significa muito mais do que a certificação de que existem descendentes de escravos nestes municípios, mas faz com que toda uma região perceba a importante contribuição dos negros no seu desenvolvimento. De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), Rita Surita, os reflexos deste reconhecimento serão enormes. “A certificação deste número significativo de comunidades é um fato que muda a autopercepção da região, que começa a enxergar sua história e realidade de forma diferente e incluir o povo negro como agente de desenvolvimento regional. Também representa, na prática, a possibilidade de um grande aporte de recursos do Governo Federal para melhorar a qualidade de vida das famílias quilombolas", explica a coordenadora.
Estiveram presentes na solenidade de entrega 150 pessoas entre representantes das comunidades tituladas, do movimento negro, autoridades regionais, prefeitos, vereadores, secretários, do CAPA, além de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA/POA), da Fundação Cultural Palmares/Brasília, do Território da Cidadania Zona Sul do Estado do RS e da SEPIR.
A cerimônia aconteceu no Tourist Executive Hotel e entregou certidões para as comunidades Tamanduá e Vila da Lata, de Aceguá; Quilombo do Candiota, de Candiota; Estância da Figueira e Cerro das Velhas, de Canguçu; Serrinha do Cristal, de Cristal; Vó Ernestina, de Morro Redondo; Várzea dos Baianos, Solidão e Bolsa do Candiota, de Pedras Altas; Algodão, Vó Elvira e Alto do Caixão, de Pelotas; Rincão do Quilombo, de Piratini; Tio Dô, do município de Santana da Boa Vista; Picada, Rincão das Almas, Monjolo, Torrão e Coxilha Negra, de São Lourenço do Sul; Mutuca, de Turuçu; Madeira, de Jaguarão; e Lichiguana, de Cerrito. Foi liberada ainda a certidão da comunidade Vila Progresso, do município de Arroio do Padre.

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