História

O CAPA trabalha com agricultores ecológicos familiares em geral, de todos os credos e raças, sem distinção político-ideológica. Sua origem, no entanto, está diretamente ligada à história da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) cuja trajetória acompanhou o mesmo movimento que trouxe os imigrantes alemães para as "colônias velhas", ou seja, as primeiras regiões colonizadas a partir de 1824 na Região do Vale dos Sinos (próximo de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul).

A necessidade de expandir a fronteira agrícola criou um novo fluxo de deslocamentos para outras regiões do País e a IECLB também foi ampliando a sua área de intervenção. Primeiramente em direção às "novas colônias" e mais tarde para o Noroeste do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina, para onde foram deslocados os descendentes dos colonos alemães. Os latifúndios instalados nas terras planas do Sul se impunham como uma barreira intransponível, impedindo que a nova corrente migratória se dirigisse para lá.

O processo de ocupação do solo através da atividade agropecuária moldou o perfil da base social da IECLB e, até 1972, 70% dos membros se constituíam de pequenos agricultores descendentes dos colonos alemães. No final dos anos 70, a chamada Revolução Verde já mostrava as conseqüências deste modelo tecnológico, como o desaparecimento de muitas espécies de seres vivos, o desgaste dos solos, a contaminação do meio ambiente e principalmente à expulsão do homem do campo.

Preocupada com a significativa redução do número dos membros e com o crescente empobrecimento daqueles que permaneciam, a IECLB decidiu organizar um serviço específico para os agricultores familiares.

Na Conferência dos Pastores Regionais, realizada nos dias 17 e 18 de maio de 1978, foi então criado o CAPA, com o nome de Centro de Aconselhamento ao Pequeno Agricultor. Suas atividades tiveram início no dia 15 de junho de 1979, na cidade de Santa Rosa (RS), atendendo uma área que na época abrangia 112 municípios do Noroeste do RS e Oeste de SC (74 municípios no RS e 38 em Santa Catarina). Nos dois primeiros anos, as atividades ficaram limitadas à 3ª Região Eclesiástica da IECLB (3ª RE da IECLB), que idealizou o projeto em 1975; a idéia era estender o trabalho a nível nacional, através das estruturas existentes na IECLB. Em 1982, a Região IV da IECLB criou o CAPA em São Lourenço do Sul (RS); mais tarde foi criado o CAPA da Região VI em Santa Cruz do Sul/RS. Em 1997 foram criados mais dois núcleos do CAPA na Região V da IECLB, em Verê e Marechal Cândido Rondon, no estado do Paraná. Em fevereiro de 1988, o CAPA de Santa Rosa foi transferido para Erexim; em dezembro deste mesmo ano foi criado um segundo núcleo em Três de Maio, extinto em 1994 por uma questão de reformulação estrutural.

O CAPA nasceu com propostas alternativas de produção e consumo no mesmo momento em que explodiam, na região, as lutas sociais e políticas que se constituíram nos quatro principais movimentos de trabalhadores rurais (Movimento Sindical Combativo, Movimento dos Sem Terra, Comissão Regional dos Atingidos por Barragens e Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais).

Suas orientações se fundamentavam na disseminação de práticas alternativas, econômica e ecologicamente sustentáveis, questionando o modelo de desenvolvimento e o papel da extensão oficial, contrapondo-se aos pacotes da modernização e os vínculos de dependência criados pela integração do pequeno agricultor familiar à agroindústria de alimentos.

Inicialmente, o projeto previa a implantação das "Propriedades Modelo Nova Paisagem", em propriedades com áreas entre 10 a 25 hectares. Nestas propriedades haveria a reconstrução das benfeitorias de uma maneira funcional (Galpão Modelo CAPA), a reestruturação na produção, utilização de técnicas de conservação do solo, rotação de culturas e diversificação na produção, além da instalação de hortas, pomares, pastagens cultivadas e área para reflorestamento. Também o aproveitamento de novas fontes de energia nas propriedades, entre elas, o sol, os ventos, os cursos naturais de água e a construção de biodigestores.

Ainda em 1988, por uma questão de linguagem comum entre diversos projetos, programas e atividades afins dentro da IECLB, mudou-se o nome de Centro de Aconselhamento ao Pequeno Agricultor para Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor. O nome mudou mas a sigla permaneceu a mesma - CAPA.

Desde então a atuação dos cinco núcleos do CAPA tem acumulado experiência e resultados, não apenas enquanto consórcio CAPA, mas também através das redes em que participa, como é o caso da Rede Ecovida de Agroecologia e da Articulação Nacional de Agroecologia.

CAPA - Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor